Livros em sebos

27 de junho de 2010

Se você está procurando livros (novos ou usados) com preços mais acessíveis, uma boa opção é buscá-los em sebos. Há diversas opções de sites virtuais que oferecem o serviço de busca de livros, sendo a Estante Virtual o maior deles.

Segue uma lista com os principais sites:
www.estantevirtual.com.br
www.traca.com.br
www.sebosonline.com
www.amigosdolivre.com.br

Para quem está em São Paulo, vale a pena conferir o Sebo do Messias, localizado perto da Praça João Mendes no centro.

William Shakespeare

27 de junho de 2010

Poeta e autor teatral inglês, considerado um dos melhores dramaturgos da literatura universal.

Além de dramaturgo foi ator de teatro e suas primeiras obras — dois poemas eróticos segundo a moda da época, Venus and Adonis (1593) e Lucrece (1594), e seus sonetos — lhe valeram a reputação de brilhante poeta renascentista. Sua fama atual se baseia nas 38 peças teatrais das que se tem notícia de sua participação, por tê-las escrito ou colaborado em sua redação. Ainda que hoje elas sejam muito conhecidas e apreciadas, seus contemporâneos de maior nível cultural as rechaçavam por considerá-las, como ao resto do teatro, apenas um entretenimento vulgar.

Sua obra foi classificada em quatro períodos. O primeiro caracterizou-se fundamentalmente pela experiência de obras tratadas com um alto grau de formalidade que, freqüentemente, resultavam um tanto previsíveis e amaneiradas. A este período pertencem as tragédias Henrique VI, primeira, segunda e terceira partes (1590-1592), Ricardo III (1593), Titus Andronicus (1594), e as comédias A comédia dos erros (1592), A megera domada (1593), Os dois cavalheiros de Verona (1594) e Trabalhos de amor perdidos (1594).

No segundo período, marcado por um aprofundamento em sua individualidade como autor teatral, escreveu, entre outras, Ricardo II (1595), Henrique IV primeira e segunda partes (1597) e Henrique V.

Entre as comédias deste período, encontram-se Sonho de uma noite de verão (1595), O mercador de Veneza (1596), Muito barulho por nada (1599), Como você quiser (1600) e Noite de reis (1601-1602), assim como as tragédias Romeu e Julieta (1595) e Júlio César (1599).

No terceiro período, escreveu suas melhores tragédias e as chamadas comédias escuras e amargas. Hamlet (1601), sua obra mais universal, Otelo (1604), Rei Lear (1605), Antônio e Cleópatra (1606), Macbeth (1606), Troilos and Cressida (1602), Coriolano (1608) e Timão de Atenas (1608) e as comédias Tudo é bom se acaba bem (1602) e Medida por medida (1604).

O quarto período compreende as principais tragicomédias românticas: Péricles, príncipe de Tiro, (1608), Cymbeline (1610), História de inverno (1610), A tempestade (1611) e Henrique VIII (1613).

Suas obras continuam a ser representadas e são uma fonte de inspiração para numerosas experiências teatrais, pois comunicam um profundo conhecimento da natureza humana, exemplificado na perfeita caracterização de suas variadíssimas personagens. Sua habilidade no uso da linguagem poética e dos recursos dramáticos, capaz de criar uma unidade estética a partir de uma multiplicidade de expressões e ações, não tem parâmetro na literatura universal.

Lido e encenado através dos tempos, William Shakespeare nasceu em Stratford-on-Avon. Foi autor, diretor e ator de seus próprios dramas e comédias. Foi empresário de seu próprio teatro londrino, The Globe (O Globo). É considerado por muitos o maior gênio da literatura universal. A riqueza e a variedade de seus personagens, dos argumentos, das criações psicológicas, dos conflitos e das paixões são inigualáveis.

Não há traço de caráter do ser humano que Shakespeare não tenha tratado em seus personagens.

Shakespeare e a percepção do personagem

Shakespeare foi um grande conhecedor da mente humana, definindo com precisão o caráter de seus personagens. O defeito ou a fraqueza aparecem junto à virtude, lutando para se impor. Os personagens matam por vingança ou para conseguir o poder.

O amor mais puro, simbolizado no drama Romeu e Julieta, alterna-se com a mais impressionante demonstração de baixeza e monstruosidade humana, como em Ricardo III.

As tragédias

Algumas das tragédias de Shakespeare apresentam argumentos históricos, tanto do passado recente da Inglaterra como do mundo clássico. Entre elas estão dramas históricos, como Júlio César, Henrique VIII, Antônio e Cleópatra, Ricardo III. Outras se baseiam em personagens de ficção, como Otelo, Hamlet, Macbeth, O Mercador de Veneza, Romeu e Julieta, O Rei Lear.

Alguns dos argumentos shakespearianos já haviam sido tratados por autores como Christopher Marlowe ou Cinthio (Giovanni Battista Giraldi).

Os sonetos

Shakespeare poeta é a imagem viva de Garcilaso na Espanha ou Petrarca na Itália. Seus temas são um pouco mais complexos, mesmo tratando das inquietudes da época, como o amor, a juventude, o passar do tempo ou a imagem da natureza, formulados por meio de sutis metáforas. Tem mais de 150 sonetos, que foram publicados em 1609.

Voltaire

27 de junho de 2010

Educado num colégio de jesuítas, desde jovem se proclama livre pensador. Poeta e satírico brilhante, Voltaire distingue-se nos salões parisienses, mas a sua atividade panfletária dirigindo versos contra o Regente de França, Filipe duque de Orleães, leva-o a ser detido na Bastilha (1717). Em onze meses de prisão conclui a sua primeira tragédia, Oedipe (levada à cena no ano seguinte) e inicia um poema épico sobre Henrique IV. Este seria publicado anonimamente em Genebra com o título de Poème de la ligue (1723).

Na sequência de um duelo com um membro da nobreza, o fidalgo Rohan, Voltaire é novamente preso na Bastilha. É liberto ao fim de duas semanas, mas compromete-se a sair de França; ruma então a Inglaterra em 1726.

Aí permanecendo até 1728 ou 1729, faz amizade com os escritores Pope e Swift, familiariza-se com a língua inglesa e com o pensamento de Isaac Newton, publica ensaios sobre Poesia e História e torna-se admirador do sistema político britânico.

De volta a França prossegue a actividade literária e publica Henriade (1728-30), Histoire de Charles XII (1731), Zaire (1732), Temple du Goût e Lettres philosophiques(1734), de exaltação do sitema liberal inglês e a condenação do despotismo. Esta última obra, a mais importante deste período, obrigou novamente Voltaire a deixar Paris e a refugiar-se intermitentemente em Cirey, no ducado da Lorena, onde gozou da hospitalidade de madame du Châtelet até à morte desta em 1751. Este foi um período de intensa produção literária. Com Mondain (1733) há nova necessidade de fuga, desta vez para a Holanda, onde publica Eléments de la Philosophie de Newton (1738) e onde passa a corresponder-se com Frederico da Prússia. O êxito obtido com Mahomet (1741) e Mérope (1743), aliado à boa influência de Madame de Pompadour, passa a servir Luís XV em missões na Prússia, é designado historiador do reino e é eleito membro da Academia francesa em 1746.

Muda-se para Potsdam em 1751, onde desempenha o cargo de camarista e guia literário de Frederico o Grande. Mas incompatibiliza-se com o rei da Prússia em 1753 e leva uma vida errante até 1755, ano em que se estabelece numa propriedade que baptiza Délices, próximo de Genebra. Em 1756 publica La loi naturelle, Le désastre de Lisbonne e Essai sur les moeurs. Em 1759 o conto filosófico Candide, seguindo-se Traité sur tolérance (1760), Dictionaire philosophique (1764).

Regressou a Paris em 1778, ano em que morreu.

Frases de Voltaire:

“O sucesso sempre foi a criação da ousadia.”

“Não podemos querer o que desconhecemos.”

“O segredo de aborrecer é dizer tudo.”

“O mundo é um templo dedicado às discórdias.”

“Os preconceitos são a razão dos imbecis.”

“A amizade é o casamento da alma.”

“Todo o homem é culpado do bem que não fez.”

“A falsa ciência gera ateus; a verdadeira ciência leva os homens a se curvar diante da divindade.”

“O repouso é uma boa coisa mas o tédio é seu irmão.”

“O valor dos grandes homens mede-se pela importância dos serviços prestados à humanidade.”

“A arte da medicina consiste em distrair enquanto a Natureza cuida da doença.”

“A primeira lei da natureza é a tolerância; já que temos todos uma porção de erros e fraquezas.”

“Os homens devem ter corrompido um pouco a natureza, pois não nasceram lobos e acabaram se tornando lobos.”

“Uma única palavra posta fora do lugar estraga o pensamento mais bonito.”

“O preconceito é uma opinião não submetida a razão.”

“Tudo se pode suportar, exceto o desprezo.”

“Não concordo com uma única palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte o vosso direito de dizê-la.”

“A necessidade obrigatória de falar e o embaraço de nada ter para falar são duas coisas capazes de tornar ridículo ainda mesmo o maior homem.”

“Que Deus me proteja dos meus amigos. Dos inimigos, cuido eu.”

“A guerra é o maior dos crimes, mas não existe agressor que não disfarce seu crime com pretexto de justiça.”

“O acaso é uma palavra sem sentido. Nada pode existir sem causa.”

Charles Darwin

27 de junho de 2010

O inglês Charles Darwin — autor da primeira teoria evolutiva do homem, até hoje amplamente aceita no meio científico — ingressou no curso de Medicina seguindo os passos do pai e do avô. No entanto, desde que teve de operar um doente sem anestesia, prefereriu abandonar o curso.

De sua principal obra, “Sobre a Origem das Espécies por meio da Seleção Natural”, foram impressos 1250 exemplares, de 502 páginas, que se esgotaram num único dia, 24 de novembro de 1859.

Seu pai deixou-lhe propriedades a ponto de Darwin não precisar trabalhar para se sustentar. E aconselhou-o a se dedicar à Igreja Anglicana. Darwin aceitou o conselho, mas não ficou feliz com o que aprendia. Os anglicanos ensinavam que a Terra foi criada às 9 horas do dia 23 de outubro de 4004 a.C.. Acreditavam também que todas as espécies animais foram criadas ao longo de seis dias, jamais sofrendo mudanças desde então. Darwin tornou-se um voraz pesquisador da natureza, por duvidar desses ensinamentos da igreja.

A viagem no barco Beagle, em 1831,durou cinco anos e foi decisiva em sua carreira.A missão da expedição era mapear mares e costas desconhecidas pela Marinha Britânica. Incorporado à tripulação como naturalista, ele coletou grande quantidade de material a ser pesquisado: rochas, fósseis, aves, insetos e mesmo animais de porte maior, que ele mesmo empalhava. E durante a viagem escreveu seu diário.

Ao finalizar esta aventura estava convencido de que as espécies animais sofriam mudanças. Porém, não sabia como isso ocorria. Apenas classificou o material coletado e publicou Zoologia da Viagem do Beagle.

Apesar das campanhas contra as idéias darwinistas, a igreja anglicana permitiu que seu corpo fosse enterrado ao lado dos restos mortais de Isaac Newton, na abadia de Westminster, em Londres. Sobre isso, o filho de Darwin teria comentado: “Você pode imaginar que conversas deliciosas meu pai e Sir Isaac terão à noite, depois que a abadia fechar e tudo ficar quieto?”.

Charles Darwin nasceu no dia 12 de fevereiro de 1809, na cidade de Shrewsburry, Inglaterra. Morreu em 19 de abril de 1882.

Dante Alighieri

27 de junho de 2010

Escritor italiano. Estuda Teologia e Filosofia e conhece profundamente os clássicos latinos e os filósofos escolásticos. Pertencente ao Partido Guelfo, luta na Batalha de Campaldino contra os Gibelinos. Cerca de 1300 inicia a carreira diplomática e, em 1302, é encarcerado por causa das suas atividades políticas. Inicia-se então a segunda etapa da sua vida: o exílio definitivo, pois não dá acolhimento às amnistias de 1311 e 1315. Afastado de Florença, vive em Verona e em Lunigiana. Posteriormente, e seguindo as vicissitudes da política dos principados italianos, reside também em Ravena, onde morre. Apesar de ser casado, Beatriz, dama florentina, é o seu amor platónico e a personagem central da sua obra.

A Vida Nova é uma coleção de sonetos e canções dedicada à sua dama idealizada, Beatriz. Mas a grande obra de Dante é a Divina Comédia, grandioso poema alegórico, filosófico e moral que resume a cultura cristã medieval. A sua estrutura reproduz as concepções cosmológicas e teológicas da época. É uma obra de rica simbologia mística: Beatriz, convertida em ideia espiritual após a sua morte, personifica a teologia ou sabedoria divina, com a qual a alma percorre as vias da razão até alcançar a graça e a união com Deus. Mas tudo isso está impregnado das ideias e crenças de Dante, das suas recordações e esperanças, dos seus amores e ódios, da poderosa inspiração e da personalidade deste formidável escritor.

Escritor italiano, nascido na Florença. Um dos poetas de grande gênio no ocidente, Dante escreveu uma das mais fundamentais obras na literatura universal, A Divina Comédia. Dante nasceu em meio a uma família de classe média, tendo, por meio de sua formação educacional, entrando em contato com os clássicos da literatura cristã. Sob a orientação de Brunneto Latini, Dante é iniciado nas leituras de Estácio, Ovídio e Vergílio.

Em sua juventude, o escritor se engajou nas lutas políticas locais da cidade, a qual apresentava uma intensa e agitada vida pública. O escritor tornou-se prior da administração da cidade.

Na divisão do partido dos guelfos, surgiram as facções branca e negra, a primeira moderada e a segunda radical. Dante enquadrou-se nos moderados e sua participação política se canalizou para as lutas contra as ambições políticas do papa Bonifácio VIII, que pretendia estender seu domínio. Com a vitória dos negros, Dante é exilado em 1302, indo para Roma, de onde jamais voltaria.

Exilado, Dante passa pelo período mais sombrio de sua vida, embora também o período mais prolífico de sua criação. A grande reputação literária de Dante repousa na Divina Comédia, obra que escreveu no exílio, iniciada entre os anos 1307 e 1314, sendo finalizada pouco tempo antes de sua morte, em 1321.

Cruz e Sousa

27 de junho de 2010

João da Cruz e Souza nasceu em 21 de novembro de 1861 em Desterro, hoje Florinaopolis, Santa Catarina. Seu pai e sua mãe, negros puros, eram escravos alforriados pelo marechal Guilherme Xavier de Sousa. Ao que tudo indica o marechal gostava muito dessa família pois o menino João da Cruz recebeu, além de educação refinada, adquirida no Liceu Provincial de Santa Catarina, o sobrenome Sousa.
Apesar de toda essa proteção, Cruz e Souza sofreu muito com o preconceito racial. Depois de dirigir um jornal abolicionista, foi impedido de deixar sua terra natal por motivos de preconceito racial.
Algum tempo depois é nomeado promotor público, porém, é impedido de assumir o cargo, novamente por causa do preconceito. Ao transferir-se para o Rio, sobreviveu trabalhando em pequenos empregos e continuou sendo vítima do preconceito.

Em 1893 casa-se com Gravita Rosa Gonçalves, que também era negra e que mais tarde enlouqueceu. O casal teve quatro filhos e todos faleceram prematuramente, o que teve vida mais longa morreu quando tinha apenas 17 anos.

Cruz e Souza morreu em 19 de março de 1898 na cidade mineira de Sítio, vítima de tuberculose. Suas únicas obras publicadas em vida foram Missal e Broquéis.

Cruz e Souza é, sem sombra de dúvidas, o mais importante poeta Simbolista brasileiro, chegando a ser considerado também um dos maiores representantes dessa escola no mundo. Muitos críticos chegam a afirmar que se não fosse a sua presença, a estética Simbolista não teria existido no Brasil. Sua obra apresenta diversidade e riqueza.

De um lado, encontram-se aspectos noturnos, herdados do Romantismo como por exemplo o culto da noite, certo satanismo, pessimismo, angústia morte etc. Já de outro, percebe-se uma certa preocupação formal, como o gosto pelo soneto, o uso de vocábulos refinados, a força das imagens etc. Em relação a sua obra, pode-se dizer ainda que ela tem um caráter evolutivo, pois trata de temas até certo ponto pessoais como por exemplo o sofrimento do negro e evolui para a angústia do ser humano.

João da Cruz e Sousa nasceu em Desterro, atual Florianópolis. Filho de escravos alforriados pelo Marechal Guilherme Xavier de Sousa, seria acolhido pelo Marechal e sua esposa como o filho que não tinham.

Foi educado na melhor escola secundária da região, mas com a morte dos protetores foi obrigado a largar os estudos e trabalhar.

Sofre uma série de perseguições raciais, culminando com a proibição de assumir o cargo de promotor público em Laguna, por ser negro.

Em 1890 vai para o Rio de Janeiro, onde entra em contato com a poesia simbolista francesa e seus admiradores cariocas. Colabora em alguns jornais e, mesmo já bastante conhecido após a publicação de Missal e Broquéis (1893), só consegue arrumar um emprego miserável na Estrada de Ferro Central.

Casa-se com Gavita, também negra, com quem tem quatro filhos, dois dos quais vêm a falecer. Sua mulher enlouquece e passa vários períodos em hospitais psiquiátricos.

O poeta contrai tuberculose e vai para a cidade mineira de Sítio se tratar. Morre aos 36 anos de idade, vítima da tuberculose, da pobreza e, principalmente, do racismo e da incompreensão.

Allan Kardec

27 de junho de 2010

Desde a juventude, Allan Kardec, pseudônimo de Hippolyte Léon Denizard Rivail, nascido em 3 de outubro de 1804, em Lyon, na França, já manifestava uma profunda preocupação com a educação da sociedade. Chegou a substituir o mestre Pestalozzi na escola de Yverdun, na Suiça e retornou a Paris, em 1828, cheio de sonhos e de projetos.

Lecionou diversas disciplinas e popularizou o método pedagógico do mestre, revolucionário para a época. Fundou escolas e reformou o ensino francês com seus livros e manuais didáticos.

Foi um dos pioneiros, na França, no campo do ensino para ambos os sexos, especialmente para as mulheres, relegadas a segundo plano pelo sistema de ensino. Chegou a ministrar vários cursos gratuitos em sua residência, fundou escolas e dedicou toda sua vida à educação.

Após estudar o magnetismo desde a juventude, em 1854, aos 50 anos de idade, toma contato com os fenômenos mediúnicos, as chamadas mesas girantes. Sua genial perspicácia o fez perceber que por trás daqueles fenômenos, aparentemente pueris, se ocultava a explicação para muitos problemas existenciais considerados insolúveis.

Dali, adaptando o método experimental das ciências, extraiu uma filosofia laica e espiritualista de bases experimentais, uma ciência de observação, toda uma ética de princípios voltada para o progresso moral e social. Não se limitou à constatação do fato, como o fizeram depois dele os metapsiquistas e parapsicólogos. Foi muito mais além. Estruturou uma filosofia científica que denominou de Espiritismo e criou uma terminologia toda própria, adequada aos fenômenos medianímicos. Elaborou um método, também conhecido como kardecismo, e inseriu essa nova corrente de pensamento no cenário cultural da França e do mundo, em 18 de abril de 1857, com o lançamento de O Livro dos Espíritos, que assinou com o pseudônimo de Allan Kardec. Segundo informações de Espíritos que o auxiliaram na elaboração do Espiritismo, esse nome teria sido o de uma encarnação ao tempo dos celtas, como druida.

Longe de ser uma doutrina para iniciados, com hierarquias e concepções esotéricas e dogmáticas, o Espiritismo logo se mostrou como uma corrente filosófica espiritualista, progressista e progressiva, comprometida com o processo de evolução intelecto-moral da humanidade. Em seu tempo, Kardec era conhecido como o Fundador do Espiritismo, mas também, até pejorativamente, de O Professor Socialista, não no sentido ideológico do termo, mas no de ser um intelectual e pedagogo preocupado com questões de natureza social, relacionadas à educação integral do homem e da sociedade.

Em toda a Kardequiana podemos observar o comprometimento de Kardec com o social, como nessa afirmação categórica na conclusão do artigo Liberdade, Igualdade, Fraternidade (in Obras Póstumas, 1890): “A aspiração por uma ordem superior de coisas é indício da possibilidade de atingi-la. Cabe aos homens progressistas ativar esse movimento pelo estudo e a aplicação dos meios mais eficazes”.

Em outro artigo, o Fundador do Espiritismo analisa de modo mais aprofundado as causas morais de muitos conflitos sociais, e sustenta com firmeza sua tese de que o egoísmo e o orgulho originam boa parte das misérias deste mundo: “para que os homens vivam como irmãos, não basta pregar-lhes lições de moral, é preciso destruir as causas do antagonismo entre eles e combater o que dá origem ao mal: o orgulho e o egoísmo. É este o flagelo em que devem concentrar toda a atenção aqueles que realmente desejam o bem da Humanidade. Enquanto subsistir esse obstáculo, verão paralisados seus esforços, não só pela resistência da inércia como pela de uma força ativa que trabalhará sem cessar para destruir sua obra, porque toda idéia grande, generosa e emancipadora arruína as pretensões pessoais” (O Egoísmo e o Orgulho, Obras Póstumas).

Para o Espiritismo, o processo histórico é evolutivo e avança quando entram em choque os interesses de grupos antagônicos entre si, gerando os conflitos sociais, necessários ao progresso da Humanidade. Kardec, sensível a essa idéia, a desenvolve e observa que “em todas as épocas da História, às grandes crises sociais se seguiu uma era de progresso. Opera-se presentemente um desses movimentos gerais, destinados a realizar uma remodelação da Humanidade. A multiplicação das causas da destruição constitui sinal característico dos tempos, visto que elas apressarão a eclosão dos novos germens. São as folhas cheias de vida, porquanto a Humanidade tem suas estações, como os indivíduos têm suas várias idades. As folhas mortas da Humanidade caem batidas pelas rajadas e pelos golpes de vento, porém, para renascerem mais vivazes sob o mesmo sopro de vida, que não se extingue, mas se purifica.” (A Geração Nova, A Gênese).

A preocupação com o poder também não ficou de fora das conjecturas de Allan Kardec. Ele defendia a tese de que no seu exercício é fundamental, além do preparo intelectual, a moralidade. Em termos práticos, essa idéia consubstancia-se no que denominou de aristocracia intelecto-moral, composta por um corpo dirigente animado por sentimentos de justiça e de caridade. Segundo Kardec, o Espiritismo é o precursor dessa aristocracia do futuro em função de seu poder de moralização: “Sendo uma potência como filosofia, o Espiritismo, neste nosso século da razão, só teria a perder se pretendesse transformar-se em poder temporal. Não será portanto ele que irá organizar as instituições sociais do mundo regenerado, mas os próprios homens, levados por suas idéias de justiça, de caridade, de fraternidade e solidariedade desenvolvidas por efeito de sua nova crença.” (Questões e Problemas, Obras Póstumas).

Nos últimos anos de sua vida, preocupado com a continuidade do Espiritismo, elaborou todo um programa organizacional de estruturação e propagação da Doutrina, que ainda hoje serve de modelo para os espíritas seguidores de suas idéias. Um de seus últimos desejos foi a estruturação de uma espécie de comunidade espírita, que seria construída em um terreno de sua propriedade, que deixou para tal empreendimento.

Kardec foi, portanto, no sentido gramsciano, um intelectual orgânico, ou seja, um pensador humanista voltado para a práxis, empreendedor e ativista. Fundou a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, a Revista Espírita, escreveu cerca de 30 obras num curto espaço de 12 anos. Viajou por toda a França divulgando a idéia espírita através de conferências e incentivou a criação de grupos de estudos espíritas por toda a Europa. Foi um grande idealista, comprometido com a educação e a construção de uma nova sociedade, alicerçada em bases morais. Desencarnou em Paris, em 31 de março de 1869, deixando uma obra que ainda está por ser integralmente assimilada pelas novas gerações.

Friedrich Engels

27 de junho de 2010

Filósofo alemão. Oriundo de uma família da burguesia industrial, observa e conhece desde jovem as penosas condições de vida dos trabalhadores, tanto na Alemanha como em Inglaterra. Independentemente de Marx, e inclusive antes dele, chega a posições teóricas e políticas revolucionárias. Prova disso é a sua obra de 1845, A Situação da Classe Trabalhadora em Inglaterra, fruto de dois anos de estada em Manchester. Este livro é a sua primeira análise de uma situação histórica determinada, cujas formas de existência e de luta social são explicáveis em virtude das condições económicas dominantes. A partir deste delineamento, Engels postula a necessidade de uma transformação radical de tipo comunista. A atitude intelectual de Engels diferencia-se da de Marx: enquanto o primeiro se centra no carácter concreto dos fenómenos que estudava, o segundo fá-lo com um alto nível de abstracção. Em termos gerais esta característica mantém-se ao longo de toda a sua colaboração. Fruto dela, assim como da sua dedicação à luta política, são o Manifesto do Partido Comunista, de 1848, e a constituição, dois anos mais tarde, de uma Associação Internacional de Trabalhadores.

Em 1848 instala-se em Manchester, de onde colabora activamente na tentativa revolucionária que tem lugar nesse ano, entre outros locais, na Alemanha. Engels, sem perder de vista os estudos e análises económicas de Marx, dedica-se a pôr-se em dia quanto aos grandes progressos registados naqueles anos nos diversos ramos do saber. Graças a esta incansável actividade intelectual pode preparar e completar a edição de boa parte de O Capital, de Karl Marx, e elaborar uma série de escritos polémicos destinados a esclarecer as fases do materialismo: A Revolução Científica do Senhor Dühring (obra conhecida como Anti-Dühring), A Origem da Família da Propriedade Privada e do Estado e A Dialéctica da Natureza (publicada postumamente).

Dialéctica da natureza

Obra de Engels, publicada pela primeira vez na URSS (1925).

Compõe-se de uma série de escritos (1873-1886) sobre os mais importantes problemas da dialéctica da natureza.

Engels considerava que a filosofia do materialismo dialéctico, devia basear-se no conhecimento das ciências naturais em todos os seus aspectos, e que estas ciências, por sua vez, só se podem desenvolver fecundante na base do materialismo dialéctico.

Na «Dialéctica da natureza» faz-se uma profunda investigação filosófica da história e dos problemas capitais da ciência natural, uma crítica do materialismo mecanicista, do método metafísico, assim como das con­cepções idealistas na ciência natural.

Muito versado na ciência da sua época, Engels mostrou como a concepção metafísica da natureza se quebra internamente devido ao próprio avanço da ciência e deve ceder o seu lugar ao método dialéctico; sublinhou, igualmente, que os naturalistas se vêem crescentemente obrigados a passar do pensamento metafísico ao dialéc­tico, o que se reflecte muito fecundamente na própria ciência natural.

Engels expôs, dando-lhe um amplo e sólido fundamento, a teoria materialista dialéctica sobre as formas do movimento da matéria; aplicando esta teoria, investigou os princípios relativos à classificação das ciências naturais, estabeleceu a sua classificação concreta que utilizou na estruturação do seu trabalho.

Engels submeteu a uma circunstanciada investigação filosófica as leis fundamentais da ciência natural e mostrou o carácter dialéctico destas leis.

Assim, revelou o sentido autêntico da lei da conservação e transformação da energia, a que denominou lei absoluta da natureza.

Examinou também o chamado segundo principio da termodinâmica e mostrou a falsidade da conclusão segundo a qual o universo se encaminha para a sua morte térmica («Morte térmica» do universo).

Depois, Engels analisou com grande profundidade a teoria de Darwin sobre a origem das espécies e demonstrou que o seu conteúdo principal – a teoria do desenvolvimento concorda completamente com a dialéctica materialista.

Simultaneamente, descobriu na darwiniana certas lacunas e insuficiências.

Dedicou muita atenção ao estudo do papel do trabalho na formação e desenvolvimento do homem.

Demonstrou, também, que as operações e conceitos matemáticos são um reflexo das relações que se verificam entre coisas e processos na própria natureza, em que aqueles têm os seus protótipos reais; sublinhou que a introdução da grandeza variável na matemática superior significa que a dia­léctica penetra nela.

Engels investigou a relação entre casualidade e necessidade.

Com admirável mestria dialéctica salientou o erro tanto da posição idealista como da posição mecanicista na focalização deste complexo problema e deu-lhe uma solução marxista; pôs a claro, tomando como exemplo a teoria darwiniana, que a própria ciência natural confirma e concretiza as teses da dialéctica.

Claro está que algumas questões particulares que se relacionam com problemas especiais da ciência natural e que foram tratados por Engels na sua «Dialéctica da natureza» envelheceram, e não podiam deixar de envelhecer, dado o enorme progresso da ciência; mas a maneira materialista dialéctica de proceder à análise das questões científicas e de filosóficos e as generalizar, conserva inteiramente a sua actualidade nos nossos dias.

Muitas das teses da obra anteciparam-se em dezenas de anos ao desenvolvimento da ciência natural.

O livro constitui um modelo de como se deve focar de modo dialéctico, os complicados problemas desta ciência.

Engels não tinha preparado para a impressão a sua «Dialéctica da natureza», que consta de artigos soltos, notas e fragmentos, facto que se deve ter em conta ao proceder ao estudo da obra.

Economista político e revolucionário alemão, (1820-1895), co-fundador, junto com Karl Marx, do socialismo científico, conhecido como comunismo.

Em Paris, em 1844, Engels visitou Marx, quando descobriram que tinham chegado às mesmas conclusões por caminhos separados, decidiram trabalhar em conjunto. Essa colaboração se prolongou até a morte de Marx em 1883 e teve dois sentidos: por um lado, realizaram a exposição sistemática dos princípios do comunismo, conhecido mais tarde como marxismo; por outro, organizaram um movimento comunista internacional.

O Manifesto comunista (1848), tido como a exposição clássica do comunismo moderno, foi escrito por Marx, baseando-se em um esboço preparado por Engels.

Depois do fracasso das revoluções de 1848, Engels se mudou para Londres em 1870, onde teve uma considerável influência na formulação dos programas e políticas da Primeira Internacional Comunista e da Segunda. Na Inglaterra, publicou o segundo e o terceiro volumes da obra de Marx, O capital.

Entre suas obras, destacam-se:

  • A situação da classe operária na Inglaterra (1844)
  • Anti-Dühring (1878)
  • A origem da família, da propriedade privada e do Estado (1884).

Aristóteles

2 de maio de 2010

Não se sabe ao certo, mas acreditam que Aristóteles tenha nascido no ano 384 a.C., na província grega da Macedônia. Aristóteles teve, sem dúvida, um papel muito importante para o desenvolvimento da ciência no lado ocidental do mundo. Seus trabalhos constituem quase uma enciclopédia do pensamento grego, pois, a profundidade de seus conhecimentos era dos mais variados. Em seus conhecimentos continham escritos sobre lógica, filosofia, física, astronomia, biologia, psicologia, política e literatura. No século XIII d.C. seus conhecimentos foram descobertos e mais tarde incorporados aos trabalhos dos mestres e teólogos cristãos, servindo então, de base para o conhecimento científico da época.

Aristóteles retomou a teoria dos quatro elementos de Empédocles e, com sua visão de mundo, baseada no senso comum, cria sua interpretação. Para ele, todo objeto no universo tem o seu “lugar natural” determinado pela sua natureza. Por exemplo, os elementos pesados (um pedaço de pedra) tendem a se dirigir para o centro do universo, que naquela época, coincidia com o centro do nosso planeta Terra. Os elementos leves, o ar e o fogo tinham como lugar natural o céu. A água, por exemplo, se espalhava no chão, quando derramada, porque o lugar natural de todos os elementos aquosos era à superfície da Terra. O lugar natural do ar, era em torno da terra, cobrindo-a. O lugar natural do fogo ficava numa esfera acima da esfera do ar.

Aristóteles dividia o movimento dos corpos em duas classes: o movimento natural e o movimento violento. O primeiro era a expressão da tendência dos elementos a atingir seu lugar natural. Por exemplo, a queda de um corpo pesado em direção ao centro da terra é um exemplo de um movimento natural, mas qual era o fator determinante da velocidade final do corpo em queda? É mais fácil ver que uma pedra cai mais rápido do que uma folha ou uma pena, então seria óbvio de que o peso do objeto seria um fator determinante para velocidade final. Portanto, para Aristóteles, quanto mais pesado um objeto maior a sua velocidade de queda. O segundo, era causado por forças externas e interferia no movimento natural, por exemplo: quando se lançava um peso ou atirava uma flecha. Este tipo de movimento deveria crescer na medida que a própria força aumentasse. Parando de cessar a força, o movimento conseqüentemente cessaria. Para Aristóteles, a matemática não tinha importância como ferramenta para descrição dos fenômenos terrestres, ele dava maior crédito às observações qualitativas como base de sua teoria. Porém, foi através do valor da previsão matemática que a física começa a realizar seus verdadeiros progressos.

Aristóteles (384-322 a.C.) foi aluno da Academia de Platão.

Era natural da Macedônia e filho de um médico famoso. Seu projeto filosófico está no interesse da natureza viva. Ele foi o último grande filósofo grego e também o primeiro grande biólogo da Europa. Utilizava-se da razão e também dos sentidos em seus estudos. Criou uma linguagem técnica usada ainda hoje pela ciência e formulou sua própria filosofia natural.

Aristóteles discordava em alguns pontos de Platão. Não acreditava que existisse um mundo das idéias abrangedor de tudo existente; achava que a realidade está no que percebemos e sentimos com os sentidos, que todas as nossas idéias e pensamentos tinham entrado em nossa consciência através do que víamos e ouvíamos e que o homem possuía uma razão inata, mas não idéias inatas.

Para Atistóteles, tudo na natureza possuía a probabilidade de se concretizar numa realidade que lhe fosse inerente. Assim, uma pedra de granito poderia se transformar numa estátua desde que um escultor se dispusesse a escupi-la. Da mesma forma, de um ovo de galinha jamais poderia nascer um ganso, pois essa característica não lhe é inerente.

Aristóteles acreditava que na natureza havia uma relação de causa e efeito e também acreditava na causa da finalidade. Deste modo, não queria saber apenas o porquê das coisas, mas também a intenção, o propósito e a finalidade que estavam por trás delas. Para ele, quando reconhecemos as coisas, as ordenamos em diferentes grupos ou categorias e tudo na natureza pertence a grupos e subgrupos. Ele foi um organizador e um homem extremamente meticuloso. Também fundou a ciência da lógica.

Aristóteles dividia as coisas em inanimadas (precisavam de agentes externos para se transformar) e criaturas vivas (possuem dentro de si a potencialidade de transformação). Achava que o homem estava acima de plantas e animais porque, além de crescer e de se alimentar, de possuir sentimentos e capacidade de locomoção, tinha a razão. Também acreditava numa força impulsora ou Deus (a causa primordial de todas as coisas).

Sobre a ética, Aristóteles pregava a moderação para que se pudesse ter uma vida equilibrada e harmônica. Achava que a felicidade real era a integração de três fatores: prazer, ser cidadão livre e responsável e viver como pesquisador e filósofo. Cria também que devemos ser corajosos e generosos, sem aumentar ou diminuir a dosagem desses dois itens. Aristóteles chamava o homem de ser político. Citava formas de governo consideradas boas como a monarquia, a aristocracia e a democracia. Acreditava que sem a sociedade ao nosso redor não éramos pessoas no verdadeiro sentido do termo.

Para ele, a mulher era “um homem incompleto”. Pensava que todas as características da criança já estavam presentes no sêmen do pai. Sendo assim, o homem daria a forma e a mulher, a substância. Essa visão distorcida predominou durante toda a Idade Média.

Fontes:
www.ime.usp.br
www.conviteafisica.com.br

Guimarães Rosa

25 de abril de 2010

João Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo (MG) em 1908. Formado em Medicina, exerceu a profissão até 1934, quando ingressou na carreira diplomática, tendo servido na Alemanha, Colômbia e França.

Sua primeira obra foi Magma, um livro de poemas, com o qual obteve um prêmio da Academia. O livro ficaria inédito. Estreou para o público, de fato, em 1946 com um livro de contos que se tornaria um marco em nossa literatura: Sagarana. Mas sua consagração definitiva viria dez anos depois, com o romance Grande sertão: veredas. Eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1963, só tomaria posse em 1967, morrendo três dias depois. No seu discurso de posse, em algumas passagens o escritor parece antecipar o fato. Os últimos parágrafos de seu discurso têm como assunto a morte. “A gente morre é para provar que viveu. (…) As pessoas não morrem, ficam encantadas.” Mas a palavra derradeira desse discurso foi o nome de sua cidade natal: Cordisburgo.

O ambiente rural vem, há muito tempo, fornecendo material para nossa literatura. No Romantismo, Alencar, Taunay e Bernardo Guimarães produziram narrativas em que o homem e o espaço sertanejos são idealizados, em oposição ao homem da corte. Durante o Realismo/Naturalismo, Domingos Olímpio e Manuel de Oliveira Paiva debruçaram-se sobre o sertão, agora para revelar aspectos ignorados pelos românticos. No Pré-Modernismo, a realidade rural transformou-se em matéria literária para Euclides da Cunha, Monteiro Lobato e Simões Lopes Neto. A década de 1930 marca o surgimento do romance do Nordeste, com Graciliano Ramos e Rachel de Queiroz, entre outros. Guimarães Rosa retoma a temática e a modifica radicalmente. E quais são essas modificações radicais?

Os demais regionalistas incorporavam termos regionais ao texto literário. Guimarães Rosa recria a linguagem regional de forma extremamente elaborada. Baseando-se na linguagem da região em que “ocorrem” as histórias narradas, o autor cria palavras novas, recupera o significado de outras, empresta termos de línguas estrangeiras, estabelece relações sintáticas surpreendentes.

Na obra de Guimarães Rosa, o sertão não vai se limitar ao espaço geográfico, mas simboliza o próprio universo. Como afirma Riobaldo, personagem de Grande sertão: veredas: “O senhor tolere, isto é o sertão. Uns querem que não seja: que situado sertão é por os campos-gerais a fora a dentro, eles dizem (…) O sertão está em toda a parte.”

O sertão criado por Guimarães Rosa é uma realidade geográfica, social, política, mas também é uma realidade psicológica e metafísica. Nesse espaço (sertão-mundo), o sertanejo não é apenas o homem de uma região e de uma época específicas, mas homem universal defrontando-se com problemas eternos: o bem e o mal; o amor; a violência; a existência ou não de Deus e do Diabo etc. Daí classificar-se seu regionalismo como regionalismo universalista.

Quanto ao processo narrativo, geralmente suas histórias (ou estórias, como queria Rosa) concentram-se em torno de “casos” que sustentam os enredos. Grande sertão: veredas provocou impacto sem precedentes em nossa literatura. Quando foi lançada a obra, percebeu-se que estava ali algo diferente de tudo o que até então se fizera em nossa literatura. Guimarães Rosa tinha levado a efeito a mais radical experimentação lingüistica pela qual passara o romance brasileiro. Como um imenso caleidoscópio constituído de casos, histórias curtas, páginas de diário, anedotas, a obra sustenta-se numa narrativa relativamente fácil que pode ser assim resumida:

Riobaldo, agora já velho e fazendeiro na região do rio São Francisco, relata, sem obedecer à ordem cronológica, a uma personagem não identificada, sua trajetória de jagunço no norte de Minas e sul da Bahia; trajetória repleta de aventuras, que culminou com a obtenção do posto de chefe do bando. Conquistada essa situação, Riobaldo define sua mais importante empreitada: destruir Hermógenes – o líder do bando inimigo -, responsável pelo assassinato de Joca Ramiro, ex-chefe dos jagunços e, como se saberá no final, pai de Reinaldo/Diadorim. Para alcançar seu intento, Riobaldo teria feito um pacto com o Diabo, a quem tinha oferecido a alma em troca do sucesso na travessia do Liso do Sussuarão – região que não concedia passagem a gente viva -, e que teria de ser cruzada para o confronto com o adversário.

Alguns estudiosos vêem semelhança entre essa obra e uma novela de cavalaria. A travessia, palavra-chave em Grande sertão: veredas, representa o obstáculo a ser superado pelo “cavaleiro” (jagunço) e que dará sentido à sua existência. Paralelamente a essas aventuras e indagações metafísicas, tem lugar a forte atração (correspondida) que o narrador-personagem começa a sentir por Reinaldo, um dos jagunços do grupo, que Riobaldo trata de Diadorim. Naquele universo, uma atração dessa ordem fatalmente despertaria enormes conflitos em Riobaldo. Efetuada a travessia do Liso, ocorreu o combate em que o grupo de Riobaldo venceu o bando inimigo. Sucedeu também a morte de Reinaldo/Diadorim e, em seguida, a chocante cena em que Riobaldo assiste à preparação do corpo de Diadorim para o enterramento.

Fonte: www.culturabrasil.org

Obras:
1936: Magma
1946: Sagarana
1947: Com o Vaqueiro Mariano
1956: Corpo de Baile
1956: Grande Sertão: Veredas
1962: Primeiras Estórias
1964: Campo Geral
1965: Noites do Sertão
1967: Tutaméia – Terceiras Estórias
1969: Estas Estórias (póstumo)
1970: Ave, Palavra (póstumo)

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