Filósofo alemão. Oriundo de uma família da burguesia industrial, observa e conhece desde jovem as penosas condições de vida dos trabalhadores, tanto na Alemanha como em Inglaterra. Independentemente de Marx, e inclusive antes dele, chega a posições teóricas e políticas revolucionárias. Prova disso é a sua obra de 1845, A Situação da Classe Trabalhadora em Inglaterra, fruto de dois anos de estada em Manchester. Este livro é a sua primeira análise de uma situação histórica determinada, cujas formas de existência e de luta social são explicáveis em virtude das condições económicas dominantes. A partir deste delineamento, Engels postula a necessidade de uma transformação radical de tipo comunista. A atitude intelectual de Engels diferencia-se da de Marx: enquanto o primeiro se centra no carácter concreto dos fenómenos que estudava, o segundo fá-lo com um alto nível de abstracção. Em termos gerais esta característica mantém-se ao longo de toda a sua colaboração. Fruto dela, assim como da sua dedicação à luta política, são o Manifesto do Partido Comunista, de 1848, e a constituição, dois anos mais tarde, de uma Associação Internacional de Trabalhadores.
Em 1848 instala-se em Manchester, de onde colabora activamente na tentativa revolucionária que tem lugar nesse ano, entre outros locais, na Alemanha. Engels, sem perder de vista os estudos e análises económicas de Marx, dedica-se a pôr-se em dia quanto aos grandes progressos registados naqueles anos nos diversos ramos do saber. Graças a esta incansável actividade intelectual pode preparar e completar a edição de boa parte de O Capital, de Karl Marx, e elaborar uma série de escritos polémicos destinados a esclarecer as fases do materialismo: A Revolução Científica do Senhor Dühring (obra conhecida como Anti-Dühring), A Origem da Família da Propriedade Privada e do Estado e A Dialéctica da Natureza (publicada postumamente).
Dialéctica da natureza
Obra de Engels, publicada pela primeira vez na URSS (1925).
Compõe-se de uma série de escritos (1873-1886) sobre os mais importantes problemas da dialéctica da natureza.
Engels considerava que a filosofia do materialismo dialéctico, devia basear-se no conhecimento das ciências naturais em todos os seus aspectos, e que estas ciências, por sua vez, só se podem desenvolver fecundante na base do materialismo dialéctico.
Na «Dialéctica da natureza» faz-se uma profunda investigação filosófica da história e dos problemas capitais da ciência natural, uma crítica do materialismo mecanicista, do método metafísico, assim como das concepções idealistas na ciência natural.
Muito versado na ciência da sua época, Engels mostrou como a concepção metafísica da natureza se quebra internamente devido ao próprio avanço da ciência e deve ceder o seu lugar ao método dialéctico; sublinhou, igualmente, que os naturalistas se vêem crescentemente obrigados a passar do pensamento metafísico ao dialéctico, o que se reflecte muito fecundamente na própria ciência natural.
Engels expôs, dando-lhe um amplo e sólido fundamento, a teoria materialista dialéctica sobre as formas do movimento da matéria; aplicando esta teoria, investigou os princípios relativos à classificação das ciências naturais, estabeleceu a sua classificação concreta que utilizou na estruturação do seu trabalho.
Engels submeteu a uma circunstanciada investigação filosófica as leis fundamentais da ciência natural e mostrou o carácter dialéctico destas leis.
Assim, revelou o sentido autêntico da lei da conservação e transformação da energia, a que denominou lei absoluta da natureza.
Examinou também o chamado segundo principio da termodinâmica e mostrou a falsidade da conclusão segundo a qual o universo se encaminha para a sua morte térmica («Morte térmica» do universo).
Depois, Engels analisou com grande profundidade a teoria de Darwin sobre a origem das espécies e demonstrou que o seu conteúdo principal – a teoria do desenvolvimento concorda completamente com a dialéctica materialista.
Simultaneamente, descobriu na darwiniana certas lacunas e insuficiências.
Dedicou muita atenção ao estudo do papel do trabalho na formação e desenvolvimento do homem.
Demonstrou, também, que as operações e conceitos matemáticos são um reflexo das relações que se verificam entre coisas e processos na própria natureza, em que aqueles têm os seus protótipos reais; sublinhou que a introdução da grandeza variável na matemática superior significa que a dialéctica penetra nela.
Engels investigou a relação entre casualidade e necessidade.
Com admirável mestria dialéctica salientou o erro tanto da posição idealista como da posição mecanicista na focalização deste complexo problema e deu-lhe uma solução marxista; pôs a claro, tomando como exemplo a teoria darwiniana, que a própria ciência natural confirma e concretiza as teses da dialéctica.
Claro está que algumas questões particulares que se relacionam com problemas especiais da ciência natural e que foram tratados por Engels na sua «Dialéctica da natureza» envelheceram, e não podiam deixar de envelhecer, dado o enorme progresso da ciência; mas a maneira materialista dialéctica de proceder à análise das questões científicas e de filosóficos e as generalizar, conserva inteiramente a sua actualidade nos nossos dias.
Muitas das teses da obra anteciparam-se em dezenas de anos ao desenvolvimento da ciência natural.
O livro constitui um modelo de como se deve focar de modo dialéctico, os complicados problemas desta ciência.
Engels não tinha preparado para a impressão a sua «Dialéctica da natureza», que consta de artigos soltos, notas e fragmentos, facto que se deve ter em conta ao proceder ao estudo da obra.
Economista político e revolucionário alemão, (1820-1895), co-fundador, junto com Karl Marx, do socialismo científico, conhecido como comunismo.
Em Paris, em 1844, Engels visitou Marx, quando descobriram que tinham chegado às mesmas conclusões por caminhos separados, decidiram trabalhar em conjunto. Essa colaboração se prolongou até a morte de Marx em 1883 e teve dois sentidos: por um lado, realizaram a exposição sistemática dos princípios do comunismo, conhecido mais tarde como marxismo; por outro, organizaram um movimento comunista internacional.
O Manifesto comunista (1848), tido como a exposição clássica do comunismo moderno, foi escrito por Marx, baseando-se em um esboço preparado por Engels.
Depois do fracasso das revoluções de 1848, Engels se mudou para Londres em 1870, onde teve uma considerável influência na formulação dos programas e políticas da Primeira Internacional Comunista e da Segunda. Na Inglaterra, publicou o segundo e o terceiro volumes da obra de Marx, O capital.
Entre suas obras, destacam-se:
- A situação da classe operária na Inglaterra (1844)
- Anti-Dühring (1878)
- A origem da família, da propriedade privada e do Estado (1884).